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Feminização do HIV e SIDA nas nossas comunidades

Abstract:

Caros Leitores,

Desta vez vamos falar de sexo e género na expectativa de trazer as diferentes justificativas que perpetuam a feminização do HIV e SIDA nas nossas comunidades, onde homens e mulheres incorporam nas suas práticas, valores do poder masculino como certos e justos, porque sempre foi assim. Será que no processo de abordagem do HIV e SIDA e Género temos em mente a necessidade e a importância de no terreno desenvolver práticas, atitudes e comportamentos que desencorajam a feminização do HIV e SIDA nas nossas comunidades?

Acredito que não podemos abordar o HIV e SIDA sem falarmos e nem avaliar as relações entre homens e mulheres, bem como os seus papeis e comportamentos nas comunidades em que se encontram inseridos, comunidades essas que ensinam ao homem que é natural e normal ter mais do que uma parceira e que não usar preservativo é mais prazeiroso ou mesmo sinónimo de “ser homem de verdade”. As mesmas comunidades ensinam também ao homem, que este nunca deve demonstrar fraqueza. Mas as mesmas comunidades e sociedades, ensinam a mulher, total obediência ao homem, evitando o máximo questionamentos e que o uso do preservativo é sinónimo de desconfiança numa relação.

Ora, são estes papeis distintos, estabelecidos e aceites pelas nossas comunidades e sociedades, que influenciam grandemente as oportunidades que os homens e mulheres tem no poder social, económico, cultural e nos direitos e deveres associados ao sexo e baseados em muitos factores. Podemos referenciar os factores biológicos do sexo, o que torna de forma natural a mulher mais vulnerável a infecção pelo HIV. Podemos também falar de factores histórico-culturais que nas nossas comunidades continuam a colocar a mulher na posição de baixo poder de negociação do uso do preservativo para a prática de sexo seguro. Podemos ainda mencionar o sexo entre gerações, este muitas vezes e pela sua natureza, associado à rede de parceiros multi-concorrentes.

Agora questiono. Se às comunidades e sociedades lhes é atribuído o mérito de ensinar ao homem e a mulher papeis que os distinguem e penalizam a mulher, porque não desafiar as mesmas comunidades e sociedades a ensinar e educar a mulher e ao homem visando à mudança de comportamento e de atitude em relação a mulher, seus direitos e oportunidades?

O mais caricato é que as nossas associações e organizações não governamentais que lutam contra o estigma, descriminação e feminizacao do HIV e SIDA, são parte integrante dessas comunidades e sociedades. Qual é então o papel das organizações da sociedade civil no desencorajamento da feminizacao do HIV e SIDA nas comunidades? Estarão essas comunidades e sociedades a envolver suficientemente o homem na educação sobre o papel e os direitos da mulher? Quais são as nossas experiencias e praticas? Acredito que esta é uma reflexão que só é possível faze-la em conjunto, se queisermos perceber por dentro, o nosso comportamento e atitudes na nossas comunidades e sociedades.

Gil Manuel Vilanculos's blog